sexta-feira, 19 de abril de 2013

O carácter multidisciplinar, transgeracional e multicultural da programação reflecte-se na diversidade do seu público. por Igor Gandra


Uma declaração de princípio. Sou amigo do actual director do FITEI há uma vintena de anos bem medida. Desde que partilhámos o palco na minha primeira apresentação como profissional - o Mário Moutinho na qualidade de ‘o actor mais velho’ e eu na de ‘o actor mais novo’, foi no Vai no Batalha pelo Teatro de Marionetas do Porto em 1993. Tenho por ele estima e consideração. Não são no entanto esses os motivos principais que me levam a escrever estas linhas. Tratam-se  de algumas reflexões necessariamente breves sobre a importância deste festival e da sua continuidade.
Sob a direcção artística de Mário Moutinho o FestivalInternacional de Teatro de Expressão Ibérica atravessa um momento prolongado de revitalização na sua já longa vida. O carácter multidisciplinar, transgeracional e multicultural da programação reflecte-se na diversidade do seu público e na grande adesão da cidade a este que é o mais antigo festival de teatro do país.
As artes performativas na cidade do Porto têm sofrido nos últimos anos uma erosão muito significativa. A degeneração das funções do Rivoli enquanto Teatro Municipal, a suspensão do Trama ou a ‘deslocalização/desmaterialização(?)’ do Fazer a Festa,  são alguns dos exemplos, embora muito distintos, em que se concretiza esta progressiva desertificação. A fragilização do FITEI, pondo em risco a sua continuidade, acrescenta velocidade a esta acelerada dinâmica de destruição do tecido cultural da cidade e da região.
A importância da CPLP e da comunidade cultural económica da América Latina no devir do nosso país deverá ser entendida de um modo cada vez menos virtual. O FITEI tem criado ao longo destes 36 anos de vida elos de ligação entre Portugal e este conjunto alargado de países. O processo deintegração na comunidade das línguas Ibéricas passa necessariamente pelo permanente intercâmbio cultural no qual o teatro, enquanto expressão viva da língua dos povos, terá um papel importante a cumprir.

Igor Gandra
Director Artístico do Festival Internacional de Marionetas do Porto
Co-Director do Teatro de Ferro

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