segunda-feira, 15 de abril de 2013

Não posso deixar de citar Federico Garcia Lorca, por Roberto Merino Mercado


Já aquando a abertura oficial da primeira edição do FITEI no ano de 1978, Luís Francisco Rebello (autor e historiador do teatro português) antecipava o significado histórico desta iniciativa, apresentando-a como “uma das mais importantes manifestações culturais, de ressonância internacional, do Portugal democrático saído do 25 de Abril” .“Do modelo da antiguidade, que conjugava de forma irrepetível a equação entre a experiencia teatral e a presença cívica, o festival de teatro de nossos tempos, definitivamente inaugurado em Avignon por Jean Vilar em 1947, recupera a territorialidade e a ambição aglutinadora, condições indispensáveis para a experiência de festa que encontra em “festival” a sua forma adjectiva ”
O Fitei, seu prestígio, o seu olhar intelectual, o seu cuidado resguardo da memória destes 35 anos de teatro, não podem ser apagados por decreto num obscuro ministério por um funcionário de estado. O historial de um festival único no mundo de raízes luso-hispánicas, tarefa grandiosa e gigantesca na união dos povos através dos dois idiomas mais belos da humanidade, justifica plenamente a sua continuidade em qualquer molde ou modelo de expressão. 
Não posso deixar de citar o dramaturgo andaluz Federico Garcia Lorca, primeira vítima histórica de um totalitarismo também inimigo das artes e do teatro em especial; “…um povo que não defende o seu teatro, ou está morto ou moribundo ” 

Roberto Merino Mercado
Encenador, dramaturgo, Professor Universitário de Teatro

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