sexta-feira, 25 de abril de 2014

O estado a que chegámos...

“Como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos.”
-Salgueiro Maia-

25 de Abril

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Inquietações

Hoje não foi um bom dia...
Quer dizer, teve momentos que não foram bons. e marcaram senão não estaria aqui a divagar...
Há muito que aqui não vinha. Afinal acabei por me deixar render ao facebook... tem algumas vantagens em relação ao blog, é imediato, é também uma ferramenta de trabalho... enfim talvez se adapte melhor ao estilo de vida actual. Ou talvez não... talvez estas sejam apenas desculpas para a ausência deste pequeno recanto que está cá sempre há minha espera!

Muitas coisas aconteceram nos "entretantos", o tempo voou e as mudanças foram grandes e passaram assim como um vento em furacão!
Com muita tristeza e confesso alguma mágoa, a minha colaboração com o FITEI terminou! Foram 4 anos intensos, de grande entrega, de grande aprendizagem e no final de grande mágoa. Grande parte já ultrapassada, outra parte passará com o tempo e com os novos desafios que felizmente vão surgindo.

Um ano passou sobre a última coisa que escrevi aqui... e nem era minha, era uma declaração de apoio ao FITEI... pois neste ano voltei a mudar de casa, estou ainda entre caixotes e arrumos e limpeza, da casa, dos objectos e da alma... sim porque de vez em quando convém limpar a alma, cuidá-la como se de uma menina se tratasse... com carinho e cuidado...

Hoje é um dia estranho. Mas é também um dia em que a minha cabeça está a mil entre vários assuntos e situações. Um dia estranho e apesar do sol ter brilhado foi assim como que um dia cinzento, daqueles que nos pesam...

Enfim... aqui fica mais um pequeno devaneio, num momento pleno de inquietações, de movimentações...

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O carácter multidisciplinar, transgeracional e multicultural da programação reflecte-se na diversidade do seu público. por Igor Gandra


Uma declaração de princípio. Sou amigo do actual director do FITEI há uma vintena de anos bem medida. Desde que partilhámos o palco na minha primeira apresentação como profissional - o Mário Moutinho na qualidade de ‘o actor mais velho’ e eu na de ‘o actor mais novo’, foi no Vai no Batalha pelo Teatro de Marionetas do Porto em 1993. Tenho por ele estima e consideração. Não são no entanto esses os motivos principais que me levam a escrever estas linhas. Tratam-se  de algumas reflexões necessariamente breves sobre a importância deste festival e da sua continuidade.
Sob a direcção artística de Mário Moutinho o FestivalInternacional de Teatro de Expressão Ibérica atravessa um momento prolongado de revitalização na sua já longa vida. O carácter multidisciplinar, transgeracional e multicultural da programação reflecte-se na diversidade do seu público e na grande adesão da cidade a este que é o mais antigo festival de teatro do país.
As artes performativas na cidade do Porto têm sofrido nos últimos anos uma erosão muito significativa. A degeneração das funções do Rivoli enquanto Teatro Municipal, a suspensão do Trama ou a ‘deslocalização/desmaterialização(?)’ do Fazer a Festa,  são alguns dos exemplos, embora muito distintos, em que se concretiza esta progressiva desertificação. A fragilização do FITEI, pondo em risco a sua continuidade, acrescenta velocidade a esta acelerada dinâmica de destruição do tecido cultural da cidade e da região.
A importância da CPLP e da comunidade cultural económica da América Latina no devir do nosso país deverá ser entendida de um modo cada vez menos virtual. O FITEI tem criado ao longo destes 36 anos de vida elos de ligação entre Portugal e este conjunto alargado de países. O processo deintegração na comunidade das línguas Ibéricas passa necessariamente pelo permanente intercâmbio cultural no qual o teatro, enquanto expressão viva da língua dos povos, terá um papel importante a cumprir.

Igor Gandra
Director Artístico do Festival Internacional de Marionetas do Porto
Co-Director do Teatro de Ferro

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Impossible de durer en art ou en culture sans une mission pertinente à son temps et à son lieu, Pigeons International


Cher Mario Moutinho,
C'est avec stupeur et tristesse que nous apprenons que le FITEI voit son soutien du gouvernement portugais retiré. Avec vigueur et empressement, nous tenons à joindre nos voix à toutes celles – nous les espérons nombreuses – qui viendront se porter au secours de ce festival important pour la diffusion internationale du spectacle vivant et crucial pour la vitalité de la vie culturelle à Porto et au Portugal.
Comme vous le savez, nous avons eu la chance et l’honneur de faire partie de la programmation de l’édition 2010 du festival avec notre spectacle BOA GOA. Ceci a été l’occasion d’une rencontre mémorable avec le public de Porto et l’occasion d’échanges fertiles et stimulants avec les autres participants du festival ainsi qu’avec les membres de son équipe.
Les conditions dans lesquelles nous avons été reçus étaient exemplaires et le travail de préparation en vue des représentations au Teatro Sa Helena e Costa a été marqué par le professionnalisme et la courtoisie à tous les niveaux pendant toute sa durée.
La mission d’ouverture dont a toujours fait preuve le festival est digne de mention et elle n’a d’égale que sa mission de promotion de la culture du Portugal et d’Espagne qu’elle accomplit, il nous semble, de manière énergique, intelligente et pertinente. Si le festival existe depuis si longtemps, ce ne peut être qu’en raison de l’excellence de sa programmation et la validité de son mandat. Quiconque dirige une entreprise artistique le confirmera : impossible de durer en art ou en culture sans une mission pertinente à son temps et à son lieu.

Le souvenir de notre passage à Porto est à l’effet que le FITEI était un des festivals les plus réussis que nous ayons vécu, empreint d’une atmosphère de fête rare, fête de l’art mais aussi fête des gens, spectateurs et participants. À l’heure où les échanges humains sont de plus en plus médiatisés, notre impression est qu’il faut multiplier ces rassemblements et non en réduire le nombre. Nous sommes convaincus que l’appauvrissement du FITEI menace son existence et qu’à terme, ceci sera néfaste pour l'écologie de l’ensemble du milieu artistique portugais.
En conséquence, nous exhortons la direction du DGArtes à reconsidérer la coupure faite au FITEI et à lui restituer le soutien qu’il mérite pour lui permettre de continuer de mener à bien sa mission essentielle. 

Je vous prie d’agréer, Monsieur Moutinho, l’expression de notre soutien indéfectible,
Paula de Vasconcelos
Paul-Antoine Taillefer
(Codirecteurs artistiques de Pigeons International)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Uno de los acontecimientos culturales más importantes del ámbito Ibérico, Juan Andrade Polo


3 de Abril del 2013
A quien Corresponda;
Como festival Internacional de teatro ESCENARIOS DEL MUNDO, de Cuenca Ecuador, queremos expresar nuestro total respaldo al FITEI, uno de los acontecimientos culturales más importantes del ámbito Ibérico, puerta importante de nexos con Latinoamérica, motor de enriquecedores encuentros, jornadas de reflexión, intercambio de saberes y exhibición de representativos trabajos teatrales contemporáneos. 
Auguramos se encuentren los mecanismos necesarios para dar continuidad a este proceso y solicitamos se les preste la cooperación necesaria, propia de este tipo de magníficos programas.
Secundamos también la gestión de Mario Moutinho y del equipo del trabajo de FITEI.
                 Atentamente;
                 Dr.
                 JUAN ANDRADE POLO
                 DIRECTOR DEL FESTIVAL INTERNACIONAL ESCENARIOS DEL MUNDO

To whom it may concern, por Claire Binyon


I am writing in solidarity with the Theatre Festival organisation FITEI after receiving the news that they were refused funding this year for DGArtes.

At first my reaction was that this must surely be some mistake. It does not seem logical that an organisation with such a history of collaboration and success would be refused its normal annual funding, which it surely deserves after 36 years of service to the artistic community, even if it is understandable that there be no significant increase in support due to current economic difficulties.

Firstly as a teacher at ESMAE, in the superior school of theatre; I can express my dismay as to the loss of an important recourse and reference for our students of theatre, music and the video arts. FITEI Festival provides the city with so many cultural events of quality from all over the Iberic world of theatre arts and this must make it a unique and valued organisation and festive moment of expression which of course is a vital part of any formation in the theatre.

Secondly as a recent collaborator; Last year I directed ERASMUS SYMPHONY for the festival which was a new and successful initiative by the Festival in the production of new performance work for the festival, and I must say that the FITEI organisation, their treatment of the participants and artists involved and the production process of this piece of work was impeccable, and achieved with the mix of professionalism and humanity that is rare to find. This process made a big impression on the Erasmus students that were involved and is a lasting memory of their stay and studies in Portugal, and has had an influence which has taken the good name of FITEI all over the world as far reaching as Greece, Bulgaria, Romania, Brazil and even Kazakhstan.

Lastly as a professional theatre artist living and working in Porto; Since I arrived to live and work in Portugal 20 years ago the status of the festival and esteem with which FITEI as an organisation is held along with the fundamental and pivotal position that its director, Mário Moutinho holds on the local arts scene is remarkable. I believe that the team has worked and believed in their mission through prosperous times and through difficult time sand this is why I find it to be a very short sighted arts policy that is prepared to trash (ie put in the rubbish bin) what has for so many years been a successful and valuable contribution to the cultural life of the city and that has brought us into regular and dynamic contact with both the national and international theatre and performance art world on a level that is a source of pride and delight to new and old audiences and participants.

For these reasons I hope that there is some way to contest this decision and keep alive this important Festival, which forms a part of our cultural year in Porto, in the conditions with in which it can function and prosper under the experience and skill of those who have undertaken to defend and struggle for its continued existence.

Yours

Claire Binyon
Porto 4 Abril 2013.

Dudo mucho que exista un evento que aproveche mejor que ustedes los recursos que se les asignan, por Fernando León Jacomino


La Habana, 5 de abril de 2013.
  
A: Comité Organizador Fitei
Ciudad de Porto, Portugal.

Estimados Mario, Margarita y demás colegas,
Solo quién conoce en detalles la profesionalidad y el sentido de pertenencia de ustedes para con su Festival Internacional de Teatro puede comprender la tristeza que estarán sintiendo en este momento. Defender un evento como el que ustedes organizan es la mejor respuesta que las personas honestas y de buena voluntad pueden ofrecer a un mundo que se derrumba, justo por haber renunciado a los valores del espíritu. Y no es casual que ese derrumbe toque en primer lugar a las economías más débiles, las cuales a su vez, obligadas a ceder ante presiones que solo favorecen a los dueños del gran capital, comienzan por desmontar todo aquello que no genere ganancias materiales a corto plazo, sin comprender que de este modo hipotecan el futuro ya que comprometen el crecimiento espiritual de la sociedad y, por esta vía, la capacidad de las personas para reclamar sus derechos, en especial aquellos que se relacionan con ese estadío superior de la libertad que solo puede alcanzarse a través de la Cultura.
He participado en dos ediciones de Fitei, así como en numerosos festivales de teatro en América y Europa, y dudo mucho que exista un evento que aproveche mejor que ustedes los recursos que se les asignan. Gracias a Fitei cada año se reúnen en Portugal  las más diversas tendencias del arte escénico mundial, a partir de una voluntad de intercambio que va mucho más allá de lo material y que premia en su relación con el público los enormes esfuerzos que ustedes hacen para optimizar el tiempo y los recursos y ofrecer al pueblo una muestra que convierte a la emblemática ciudad de Porto en una de las principales plazas teatrales de Europa y el mundo.
Por si esto fuera poco, desde hace unos años Fitei ha integrado a su programa lo más representativo del movimiento teatral local e impulsado iniciativas muy importantes para su desarrollo y sostenibilidad, dirección de trabajo que complementa la vocación de servicio de un evento imprescindible ya para el panorama cultural portugués e iberoamericano.
Por todas estas razones, considero imprescindible que todas las instituciones implicadas valoren la importancia del un evento como Fitei y hagan cuanto esté a su alcance por mantenerlo el pie.

Con toda solidaridad, les abraza,

Fernando León Jacomino
Investigador y asesor teatral cubano.

terça-feira, 16 de abril de 2013

FITEI, uma porta para o Mundo, por Teatro do Bolhão

O FITEI é, antes de mais, uma porta para o Mundo e durante muitos anos era, porventura,  a única que o Porto tinha para abrir. Crescemos, como profissionais e espectadores, a acompanhar esta “festividade cíclica” do teatro ibérico que acrescentava à cidade a preciosa dimensão cosmopolita. Envolvemo-nos, escola e companhia, na sua vida, co-produzindo, estreando e acolhendo espectáculos e, graças ao FITEI, tivemos o privilégio de ver no nosso Auditório (e de mostrar aos nossos alunos) os nossos colegas dos Artistas Unidos, do Teatro da Garagem, do Teatro Meridional … Hoje, aqui fazemos a defesa desse património vivo que não queremos perder.

Teatro do Bolhão      

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O FITEI é património da cidade do Porto e do país, por Eugénia Vasques

Lembrava Carlos Porto, no seu livro comemorativo FITEI: Pátria do Teatro de Expressão Ibérica (1997) que o FITEI inventou, em Portugal, corria a temporada 1977-78 (estava eu em África a dar aulas), o que podia ser, entre nós, um «festival de teatro», uma festa da cidade. E é verdade.

Inventando um programa com sede nas línguas portuguesa, castelhana e demais línguas de «expressão ibérica», o Festival tem dado ao Porto, ao Norte e ao país prova de resistência. As redes criadas, dentro e fora do país – com o Teatro Nacional S. João, com o histórico TEP e com as demais estruturas da cidade, com as escolas artísticas, com a Fundação de Serralves e a Casa da Música, com a Galiza, com o Brasil, enfim, com o mundo de expressão ibérica em geral mas não só --, colocam a Festa de Teatro do Porto num lugar conquistado a punho pelos soldados da primeira hora, Júlio Cardoso e António Reis, e pelos capitães de agora liderados por Mário Moutinho.

O FITEI tem, ao longo de 36 realizações, tido anos de tormenta? Sim, mas vencidos pela tenacidade de uma pequena estrutura permanente (Margarida Serrão e outros) que tem, contra ventos e marés, trazido, serenamente a Festa para os terrenos da criação contemporânea sem abandonar os laços estabelecidos pelo mundo em quase 40 anos de existência.

Há um palmarés de espectáculos e Companhias na história deste Festival. Há um historial de encontros que a cidade aguarda e acarinha.

O FITEI é património da cidade do Porto e do país. Não sabe o FITEI explicar as «especificidades estéticas ou temáticas da programação»? Então, ensinem-nos!

Eugénia Vasques

Não posso deixar de citar Federico Garcia Lorca, por Roberto Merino Mercado


Já aquando a abertura oficial da primeira edição do FITEI no ano de 1978, Luís Francisco Rebello (autor e historiador do teatro português) antecipava o significado histórico desta iniciativa, apresentando-a como “uma das mais importantes manifestações culturais, de ressonância internacional, do Portugal democrático saído do 25 de Abril” .“Do modelo da antiguidade, que conjugava de forma irrepetível a equação entre a experiencia teatral e a presença cívica, o festival de teatro de nossos tempos, definitivamente inaugurado em Avignon por Jean Vilar em 1947, recupera a territorialidade e a ambição aglutinadora, condições indispensáveis para a experiência de festa que encontra em “festival” a sua forma adjectiva ”
O Fitei, seu prestígio, o seu olhar intelectual, o seu cuidado resguardo da memória destes 35 anos de teatro, não podem ser apagados por decreto num obscuro ministério por um funcionário de estado. O historial de um festival único no mundo de raízes luso-hispánicas, tarefa grandiosa e gigantesca na união dos povos através dos dois idiomas mais belos da humanidade, justifica plenamente a sua continuidade em qualquer molde ou modelo de expressão. 
Não posso deixar de citar o dramaturgo andaluz Federico Garcia Lorca, primeira vítima histórica de um totalitarismo também inimigo das artes e do teatro em especial; “…um povo que não defende o seu teatro, ou está morto ou moribundo ” 

Roberto Merino Mercado
Encenador, dramaturgo, Professor Universitário de Teatro