segunda-feira, 15 de abril de 2013

O FITEI é património da cidade do Porto e do país, por Eugénia Vasques

Lembrava Carlos Porto, no seu livro comemorativo FITEI: Pátria do Teatro de Expressão Ibérica (1997) que o FITEI inventou, em Portugal, corria a temporada 1977-78 (estava eu em África a dar aulas), o que podia ser, entre nós, um «festival de teatro», uma festa da cidade. E é verdade.

Inventando um programa com sede nas línguas portuguesa, castelhana e demais línguas de «expressão ibérica», o Festival tem dado ao Porto, ao Norte e ao país prova de resistência. As redes criadas, dentro e fora do país – com o Teatro Nacional S. João, com o histórico TEP e com as demais estruturas da cidade, com as escolas artísticas, com a Fundação de Serralves e a Casa da Música, com a Galiza, com o Brasil, enfim, com o mundo de expressão ibérica em geral mas não só --, colocam a Festa de Teatro do Porto num lugar conquistado a punho pelos soldados da primeira hora, Júlio Cardoso e António Reis, e pelos capitães de agora liderados por Mário Moutinho.

O FITEI tem, ao longo de 36 realizações, tido anos de tormenta? Sim, mas vencidos pela tenacidade de uma pequena estrutura permanente (Margarida Serrão e outros) que tem, contra ventos e marés, trazido, serenamente a Festa para os terrenos da criação contemporânea sem abandonar os laços estabelecidos pelo mundo em quase 40 anos de existência.

Há um palmarés de espectáculos e Companhias na história deste Festival. Há um historial de encontros que a cidade aguarda e acarinha.

O FITEI é património da cidade do Porto e do país. Não sabe o FITEI explicar as «especificidades estéticas ou temáticas da programação»? Então, ensinem-nos!

Eugénia Vasques

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