Os meus fihotes surprenderam-me logo pela manhã, com um fantástico pequeno-almoço feito pela Andreia de panquecas com molho de chocolate (ai ai a minha dieta...) e mais uns presentinhos lindos que arranjaram com a cumplicidade do pai...
Tenho sempre umas surpresas muito boas nestes dias e que me fazem sentir que pelo menos para os meus fihotes e para o meu marido sou uma pessoa especial...
Hoje tinha previsto escrever mais sobre ser mãe e também sobre a minha mãe. Mas estou verdadeiramente cansada (mais uma noite muito mal dormida) e pouco inspirada pelo que vou deixar para outro dia.
Acho que ser mãe é demasiado grandioso para escrever sem inspiração...
De qualquer forma não queria deixar passar este dia sem desejar um óptimo e lindo dia a todas as mães e à minha também!
domingo, 6 de maio de 2007
Quintas de Leitura em Maio

Falo de um homem que possuía livros de poemas. Foi talvez o único
real leitor de poesia. Ele abria os livros, um livro. Escolhia um poema.
Era um ritual misterioso. Porque ele raspava as letras da página, cui-
dadosamente, como para conservar a integridade do papel. Raspava
e reunia os pedaços negros. Aquecia então água com o vagar próprio
da vertigem. Uma estranha ciência de vapores.
A infusão sucedia: a escura substância do poema misturava-se mais
e mais com o fervor da água, até ao ponto em que tudo aquilo era
vivo. O homem bebia então o poema e o poema flutuava no sangue,
atingindo todos os lugares do corpo, reclamando todos os lugares do
corpo. Não era previsível o efeito do poema. Cada poema dissolvido,
sorvido, feito homem, trazia consigo uma possibilidade própria. O ho-
mem crescia com o poema, crescia mais para si, mais para o poema.
O homem que possuía livros de poemas, possuía uma biblioteca em
branco. Páginas e páginas de poemas arrancados sem vestígios, um
crime perfeito. Era uma biblioteca poética. Uma biblioteca que podia
arder.
-Vasco Gato-
sábado, 5 de maio de 2007
PARABÉNS Vânia!
Hoje a Vânia faz aninhos... 26!
Companheira de trabalho, lá nos encontraremos logo para trabalhar... e para o bolinho também!!!
PARABÉNS
Companheira de trabalho, lá nos encontraremos logo para trabalhar... e para o bolinho também!!!
PARABÉNS
Uma daquelas noites!
Hoje é uma daquelas noites em que o cansaço pesa mas o sono não chega.
Finalmente está tudo calmo. Todos a dormir, menos eu...
Hoje é daquelas noites em que era capaz de ficar acordada toda a noite, só a conversar ou a escrever, ou a ouvir música...
Há muito tempo que não vejo o nascer do sol...
Gosto deste silêncio, o da noite, em que fico dentro de mim mesma...
São tantos os pensamentos e tão rápidos que não consigo passá-los cá para fora... memórias da minha vida, memórias das pessoas com quem já me cruzei, memórias das pessoas com quem ainda me cruzo.
Pensamentos soltos de coisas que às vezes gostaria de dizer a outros e que nem sempre digo... às vezes não vale pena dizer... mas depois fica aqui a remoer, até um dia em que sai ou em que esqueço...
Pensamentos soltos de coisas que às vezes gostaria de fazer e que nem sempre faço... às vezes por preguiça... às vezes por falta de oportunidade... e às vezes depois de uma noite como a de hoje, até faço algumas...
Pensamentos soltos de coisas que me dizem e que me encheram a alma... pensamentos soltos de coisas que me dizem e que nem sempre gosto de ouvir...
Como é bom ouvir o silêncio entrecortado pelos sons da noite... está calma esta noite...
Hoje é uma daquelas noites em que estaria de bom agrado a tomar um copo de um bom vinho alentejano na companhia dos amigos... memórias dos nossos serões pela noite fora conversando, rindo... nas minhas poucas idas a Lisboa ainda revivo estes bons momentos... ora com a Lisa e o Pedro, ora com a Paula, ora com a Teresa, de vez em quando com o Vasco, mais quando ele estava aqui pelo norte, mais raramente com todos juntos...
Memórias das jogatinas de mahjong com o Luís... belos serões em casa da minha mãe... memórias das conversas nas festas de fim-de-ano na casa da Rua da Conceição da Lisa e do Pedro... os melhores fins-de-ano de sempre... em conversa... em calma... em noites como a de hoje...
Hoje é uma daquelas noites em que iria de bom grado até à beira-mar, só para ouvir o enrolar do mar na areia, as ondas a bater nas rochas...
Hoje, não sei bem porquê fui invadida por uma nostalgia profunda e calma muito calma... assim como o silêncio que está aqui em casa...
Já todos dormem... apenas se ouve o som do teclado do computador e os carros um e outro que de vez em quando passam lá fora...
Admiro o meu companheiro, que dorme e orgulho-me do nosso amor... orgulho-me de o ter a meu lado... meu amor... meu amante... meu companheiro verdadeiro... meu porto de abrigo...
Hoje é mesmo uma daquelas noites...
Finalmente está tudo calmo. Todos a dormir, menos eu...
Hoje é daquelas noites em que era capaz de ficar acordada toda a noite, só a conversar ou a escrever, ou a ouvir música...
Há muito tempo que não vejo o nascer do sol...
Gosto deste silêncio, o da noite, em que fico dentro de mim mesma...
São tantos os pensamentos e tão rápidos que não consigo passá-los cá para fora... memórias da minha vida, memórias das pessoas com quem já me cruzei, memórias das pessoas com quem ainda me cruzo.
Pensamentos soltos de coisas que às vezes gostaria de dizer a outros e que nem sempre digo... às vezes não vale pena dizer... mas depois fica aqui a remoer, até um dia em que sai ou em que esqueço...
Pensamentos soltos de coisas que às vezes gostaria de fazer e que nem sempre faço... às vezes por preguiça... às vezes por falta de oportunidade... e às vezes depois de uma noite como a de hoje, até faço algumas...
Pensamentos soltos de coisas que me dizem e que me encheram a alma... pensamentos soltos de coisas que me dizem e que nem sempre gosto de ouvir...
Como é bom ouvir o silêncio entrecortado pelos sons da noite... está calma esta noite...
Hoje é uma daquelas noites em que estaria de bom agrado a tomar um copo de um bom vinho alentejano na companhia dos amigos... memórias dos nossos serões pela noite fora conversando, rindo... nas minhas poucas idas a Lisboa ainda revivo estes bons momentos... ora com a Lisa e o Pedro, ora com a Paula, ora com a Teresa, de vez em quando com o Vasco, mais quando ele estava aqui pelo norte, mais raramente com todos juntos...
Memórias das jogatinas de mahjong com o Luís... belos serões em casa da minha mãe... memórias das conversas nas festas de fim-de-ano na casa da Rua da Conceição da Lisa e do Pedro... os melhores fins-de-ano de sempre... em conversa... em calma... em noites como a de hoje...
Hoje é uma daquelas noites em que iria de bom grado até à beira-mar, só para ouvir o enrolar do mar na areia, as ondas a bater nas rochas...
Hoje, não sei bem porquê fui invadida por uma nostalgia profunda e calma muito calma... assim como o silêncio que está aqui em casa...
Já todos dormem... apenas se ouve o som do teclado do computador e os carros um e outro que de vez em quando passam lá fora...
Admiro o meu companheiro, que dorme e orgulho-me do nosso amor... orgulho-me de o ter a meu lado... meu amor... meu amante... meu companheiro verdadeiro... meu porto de abrigo...
Hoje é mesmo uma daquelas noites...
sexta-feira, 4 de maio de 2007
Ainda doentes...
Cá continuo no meio dos doentinhos!
A Leonor já está de rescaldo. Já não tem febre, voltou o apetite sem vomitar de seguida e a tosse quase desapareceu. Voltaram as birrices o que neste momento até é uma alegria.
Agora o Sérgio é que está pior. Ontem a febre subiu aos 40.1 e foi dificil fazê-la descer. Quase não comeu e o pouco que comeu veio fora... Hoje também parece estar melhor, a febre baixou bastante e de manhãzinha já tomou um bom bocado de leitinho não vomitou...
Começo a ficar mais relaxada!
Não é fácil ter os filhos doentes... e logo os dois ao mesmo tempo é muito desgastante... a preocupação, às vezes até um pouco irracional, é enorme e a impotência de os pôr bem é frustrante...
Mas parece que o pior já passou. Ontem ainda fui trabalhar à tarde e hoje vou à tarde e à noite, é a estreia do espectáculo da Conceição Nunes.
É o que custa mais, deixar os pequeninos quando estão assim. Sei que ficam bem, com o pai, sei que em caso de necessidade o João liga-me, mas é duro...
Enfim, como diria a Andreia, é a vida...
A Leonor já está de rescaldo. Já não tem febre, voltou o apetite sem vomitar de seguida e a tosse quase desapareceu. Voltaram as birrices o que neste momento até é uma alegria.
Agora o Sérgio é que está pior. Ontem a febre subiu aos 40.1 e foi dificil fazê-la descer. Quase não comeu e o pouco que comeu veio fora... Hoje também parece estar melhor, a febre baixou bastante e de manhãzinha já tomou um bom bocado de leitinho não vomitou...
Começo a ficar mais relaxada!
Não é fácil ter os filhos doentes... e logo os dois ao mesmo tempo é muito desgastante... a preocupação, às vezes até um pouco irracional, é enorme e a impotência de os pôr bem é frustrante...
Mas parece que o pior já passou. Ontem ainda fui trabalhar à tarde e hoje vou à tarde e à noite, é a estreia do espectáculo da Conceição Nunes.
É o que custa mais, deixar os pequeninos quando estão assim. Sei que ficam bem, com o pai, sei que em caso de necessidade o João liga-me, mas é duro...
Enfim, como diria a Andreia, é a vida...
quarta-feira, 2 de maio de 2007
Folgas, crianças...
Aqui estou na última noite de folga dos próximos dias, já que amanhã já vou trabalhar e este fim de semana é todo a trabalhar...
Souberam bem estes dias em casa, apesar de não ter feito nada do que queria por causa da Leonor e do Sérgio que ainda estão doentinhos!
Já estão melhores pois estão os dois bem medicados pelo Dr. Libério, mas ainda aqui andamos no meio das ranhocas, das diarreias, das tosses... vá lá que parece que os vómitos da Leonor parecem ter parado!
A boa notícia é que o Sérgio não tem nada de grave... apenas uma amigdalite que já está melhor... o resultado das análises veio todo ok, nomeadamente a prova de suor que deu negativa para a fibrose quistica, ou seja, mais uma pequena ansiedade que no que diz respeito a este menino, começaram logo na barriga... mas para já tudo normal, tudo não passam de pequenos sustos... ainda bem!!!
O que é certo é que estive cinco dias em casa, no maior stress de remédios, choros, médico, noites muito mas mesmo muito mal dormidas e sei lá que mais... a noite passada já foi mais calma e a Leonor já só se levantou uma vez... vamos ver como corre esta noite!
Para já, tudo calmo, todos a dormir e eu a aproveitar este sossego para escrever um bocadinho!
Tenho escrito muito mentalmente, sobre muitas coisas, nas alturas em que não posso dar aqui um pulinho para "postar", depois passam...
E assim passaram o 29 de Abril, dia mundial da dança e o 1 de Maio, dia do trabalhador... duas datas que normalmente festejo e que este ano à conta das crianças passaram-me completamente ao lado!
- 29 de Abril comemora o dia mundial da dança, arte ainda hoje vista como menor, não o sendo, mas na prática dificilmente se encontra alguém em Portugal a ver de facto a dança como uma arte tão grandiosa como é o teatro ou a música ou outra arte cénica... arte que celebra o corpo e que o desafia até aos limites da fisicalidade e da emotividade, arte do efémero que usufrui actualmente das novas tecnologias para a "fixar"... arte da minha paixão à qual me dediquei de corpo e alma e com a qual aprendi a vida!
A dança, sem dúvida tema para uma "postagem" brevemente... com fotos e com muitas mesmo muitas memórias fantásticas!
- 1 de Maio, também vivido, tal como o 25 de Abril, às cavalitas do meu pai no estádio 1ºMaio ao lado dos gráficos... dia em que tento sempre não trabalhar e em que nos últimos anos me apetece ir festejá-lo para a rua com os meus filhotes... acho que agora percebo melhor porque é que o meu pai fazia tanta questão em levar-nos! Espero que os meus filhos entendam as lutas que as gerações anteriores já lutaram para que possam usufruir do que já existe e para que se inspirem para as novas lutas...
Mas isto será tema para outra postagem um dia destes...
Souberam bem estes dias em casa, apesar de não ter feito nada do que queria por causa da Leonor e do Sérgio que ainda estão doentinhos!
Já estão melhores pois estão os dois bem medicados pelo Dr. Libério, mas ainda aqui andamos no meio das ranhocas, das diarreias, das tosses... vá lá que parece que os vómitos da Leonor parecem ter parado!
A boa notícia é que o Sérgio não tem nada de grave... apenas uma amigdalite que já está melhor... o resultado das análises veio todo ok, nomeadamente a prova de suor que deu negativa para a fibrose quistica, ou seja, mais uma pequena ansiedade que no que diz respeito a este menino, começaram logo na barriga... mas para já tudo normal, tudo não passam de pequenos sustos... ainda bem!!!
O que é certo é que estive cinco dias em casa, no maior stress de remédios, choros, médico, noites muito mas mesmo muito mal dormidas e sei lá que mais... a noite passada já foi mais calma e a Leonor já só se levantou uma vez... vamos ver como corre esta noite!
Para já, tudo calmo, todos a dormir e eu a aproveitar este sossego para escrever um bocadinho!
Tenho escrito muito mentalmente, sobre muitas coisas, nas alturas em que não posso dar aqui um pulinho para "postar", depois passam...
E assim passaram o 29 de Abril, dia mundial da dança e o 1 de Maio, dia do trabalhador... duas datas que normalmente festejo e que este ano à conta das crianças passaram-me completamente ao lado!
- 29 de Abril comemora o dia mundial da dança, arte ainda hoje vista como menor, não o sendo, mas na prática dificilmente se encontra alguém em Portugal a ver de facto a dança como uma arte tão grandiosa como é o teatro ou a música ou outra arte cénica... arte que celebra o corpo e que o desafia até aos limites da fisicalidade e da emotividade, arte do efémero que usufrui actualmente das novas tecnologias para a "fixar"... arte da minha paixão à qual me dediquei de corpo e alma e com a qual aprendi a vida!
A dança, sem dúvida tema para uma "postagem" brevemente... com fotos e com muitas mesmo muitas memórias fantásticas!
- 1 de Maio, também vivido, tal como o 25 de Abril, às cavalitas do meu pai no estádio 1ºMaio ao lado dos gráficos... dia em que tento sempre não trabalhar e em que nos últimos anos me apetece ir festejá-lo para a rua com os meus filhotes... acho que agora percebo melhor porque é que o meu pai fazia tanta questão em levar-nos! Espero que os meus filhos entendam as lutas que as gerações anteriores já lutaram para que possam usufruir do que já existe e para que se inspirem para as novas lutas...
Mas isto será tema para outra postagem um dia destes...
segunda-feira, 30 de abril de 2007
Folga e meninos!
Pois pois... então que faço eu, aqui tão cedinho num dia de folga???? Num daqueles dias em que o João leva os meninos à escola e eu durmo, durmo até não poder mais... pois, os meninos estão doentinhos... não houve escolinha para ninguém, nem dormir muito...
Cá estamos neste belo dia de folga, entre ranhocas de um lado, vomitados do outro.... que mais poderia eu desejar para este dia de folga tão ansiado?...
Depois de uma noite a dormir aos solavancos, a acordar milhões de vezes... umas porque a Leonor usa e abusa do seu estatuto de doentinha, outras pelos ruídos estranhos emitidos pelo Sérgio... foi mesmo mesmo uma noite deliciosa!
E agora que deveriam estar a dormir, já com o pequeno almoço na barriguinha... adivinhem... o Sérgio lá consegui que adormecesse há coisa de 5 minutos, mas a Leonor... aaaaaaahhhhhhhh a Leonor está a ver "bonecos" na televisão e a cada 2 minutos chama-me que isto de ter estatuto de doentinha não dura sempre... há que gozá-lo enquanto se pode!!!!
E assim vai ser o meu dia de folga!
Entre a preocupação deles estarem bem, as ranhocas, uma ida ao Dr. Libério a seguir ao almoço e este sono que me faz pesar os olhos... que mais poderia eu querer???
Cá estamos neste belo dia de folga, entre ranhocas de um lado, vomitados do outro.... que mais poderia eu desejar para este dia de folga tão ansiado?...
Depois de uma noite a dormir aos solavancos, a acordar milhões de vezes... umas porque a Leonor usa e abusa do seu estatuto de doentinha, outras pelos ruídos estranhos emitidos pelo Sérgio... foi mesmo mesmo uma noite deliciosa!
E agora que deveriam estar a dormir, já com o pequeno almoço na barriguinha... adivinhem... o Sérgio lá consegui que adormecesse há coisa de 5 minutos, mas a Leonor... aaaaaaahhhhhhhh a Leonor está a ver "bonecos" na televisão e a cada 2 minutos chama-me que isto de ter estatuto de doentinha não dura sempre... há que gozá-lo enquanto se pode!!!!
E assim vai ser o meu dia de folga!
Entre a preocupação deles estarem bem, as ranhocas, uma ida ao Dr. Libério a seguir ao almoço e este sono que me faz pesar os olhos... que mais poderia eu querer???
quarta-feira, 25 de abril de 2007
25 de Abril de 1974
Tinha 8 anos.
Começou como um dia igual aos outros.
A vó Bi acordou-me bem cedinho para ir para a escola. Era o Externato "O Poeta" na Avenida do Lumiar mesmo ao lado dos estúdios da RTP.
A carrinha passou na minha casa à hora prevista. Quando chegámos à escola já sabíamos que algo de estranho se passava.
Os soldados do quartel, que era um pouquinho mais à frente, estavam todos na rua.
A directora da Escola a D. Maria Antónia e os restantes professores estavam todos muito agitados a correrem de um lado para o outro e a juntarem-nos todos nas salas do r/c...
Era a revolução... eram os soldados que estavam armados na rua...
Enquanto os professores tentavam contactar os pais para irem buscar as crianças à escola, eu e a minha grande amiga e cúmplice Patrícia fugimos e conseguimos entrar no quartel do Lumiar... Foi um alvoroço com os soldados que corriam de um lado para o outro... lá houve um que nos "agarrou" e cheio de paciência percorreu a avenida batendo às portas dos vários colégios até chegar ao nosso...
Os nossos pais já lá estavam... as mães choravam e os pais bradavam de fúria...
Lembro-me da volta para casa no nosso carocha pela Estrada de Benfica. Parecia um desfile de carnaval... uma festa, não havia uma janela sem alguém... toda a gente estava nas janelas e nas ruas, muitas das pessoas nem sabiam bem o que se estava a passar... era uma alegria contagiante.
O meu pai, muito envolvido na política e nas lutas partidárias lá nos levou até ao Carmo e o resto do dia andámos na rua sem percebermos muito bem o que se estava a passar.
Toda a gente cantava, toda a gente falava...
Começou como um dia igual aos outros.
A vó Bi acordou-me bem cedinho para ir para a escola. Era o Externato "O Poeta" na Avenida do Lumiar mesmo ao lado dos estúdios da RTP.
A carrinha passou na minha casa à hora prevista. Quando chegámos à escola já sabíamos que algo de estranho se passava.
Os soldados do quartel, que era um pouquinho mais à frente, estavam todos na rua.
A directora da Escola a D. Maria Antónia e os restantes professores estavam todos muito agitados a correrem de um lado para o outro e a juntarem-nos todos nas salas do r/c...
Era a revolução... eram os soldados que estavam armados na rua...
Enquanto os professores tentavam contactar os pais para irem buscar as crianças à escola, eu e a minha grande amiga e cúmplice Patrícia fugimos e conseguimos entrar no quartel do Lumiar... Foi um alvoroço com os soldados que corriam de um lado para o outro... lá houve um que nos "agarrou" e cheio de paciência percorreu a avenida batendo às portas dos vários colégios até chegar ao nosso...
Os nossos pais já lá estavam... as mães choravam e os pais bradavam de fúria...
Lembro-me da volta para casa no nosso carocha pela Estrada de Benfica. Parecia um desfile de carnaval... uma festa, não havia uma janela sem alguém... toda a gente estava nas janelas e nas ruas, muitas das pessoas nem sabiam bem o que se estava a passar... era uma alegria contagiante.
O meu pai, muito envolvido na política e nas lutas partidárias lá nos levou até ao Carmo e o resto do dia andámos na rua sem percebermos muito bem o que se estava a passar.
Toda a gente cantava, toda a gente falava...
E Depois do Adeus..
Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.


O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.


Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder


Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci
E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...
E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.
sábado, 21 de abril de 2007
Finalmente... net em casa!
Agoar já não tenho desculpa mas não postar... a net voltou ao meu humilde computador de casa... Senti a falta dela...
Também é verdade que o tempo para escrever não tem sido muito, já que o trabalho no teatro tm-me ocupado bastante e por isso quando estou em casa tento de alguma forma compensar os filhotes e o maridão!
Hoje já fomos ao teatro e a seguir comemmos um geladinho, eu, a Andreia e a Leonor mas sinto-me muito cansada. Precisava de passar um dia na cama a dormir sem interrupções!
Hoje durante a manhã ainda dormi assim um bocado, sem ninguém me acordar, o João lá controlou a malta e consegui acordar por mim já era quase 12h... QUE BOM!!!
E pronto! por agora já chega... vou tratar das paarocas mas volto mais logo pela noitinha para por um pouco em dia os acontecimentos que ocorreram durante esta pequena ausência!
Também é verdade que o tempo para escrever não tem sido muito, já que o trabalho no teatro tm-me ocupado bastante e por isso quando estou em casa tento de alguma forma compensar os filhotes e o maridão!
Hoje já fomos ao teatro e a seguir comemmos um geladinho, eu, a Andreia e a Leonor mas sinto-me muito cansada. Precisava de passar um dia na cama a dormir sem interrupções!
Hoje durante a manhã ainda dormi assim um bocado, sem ninguém me acordar, o João lá controlou a malta e consegui acordar por mim já era quase 12h... QUE BOM!!!
E pronto! por agora já chega... vou tratar das paarocas mas volto mais logo pela noitinha para por um pouco em dia os acontecimentos que ocorreram durante esta pequena ausência!
segunda-feira, 9 de abril de 2007
José Luís Peixoto e Pedro Tochas nas Quintas de Leitura
Este mês temos José Luís Peixoto nas Quintas de Leitura.A performance está a cargo da Filipa Francisco e a música do Thollem McDonas.

O Pedro Tochas também volta no final deste mês com o "Palhaço Escultor", espectáculo que tem vencido vários prémios fora de Portugal (claro...) e que tenho muita curiosidade de ver! É outra faceta do Pedro, já que este é um esoectáculo para crianças.
Com o acolhimento "Os Lusíadas" da Cultural Kids este vai ser um mês em grande!
Ainda sem net...
Pois é... continuo sem net em casa!!! E vou continuar durante uns tempos! Nada de grave, mas sinto falta de poder "postar" quando me apetece...
Cá venho nestas escapadinhas à hora de almoço, mas não é a mesma coisa, até porque parece que as coisas já ficam desajustadas no tempo...
A Páscoa correu bem. Foi calminha. A Andreia passou em Lisboa e nós na nossa casinha só com a minha sogra.
Estivemos bem e como fizeram uns dias lindos lá andámos todos os dias de manhã no parque com a Leonor e o Sérgio.
E como os católicos têm uns hábitos algo estranhos nesta época, lá estivémos com o parque por nossa conta o que foi fantástico... tudo muito calmo à excepção do barulho das rodinhas dos patins da Leonor, a sua última descoberta!!!
No sabádo tivémos a visita do Nelo, da Sara e dos sobrinhos todos... Zé, João, Tiago e Gonçalo.
O Gonçalo que só tem 4 meses está enorme... bem maior que o meu Sérginho!!!
Não sei o que é que a minha cunhada dá aos míudis mas o que é certo é que eles são todos tamanho XL!!!!!
Cá venho nestas escapadinhas à hora de almoço, mas não é a mesma coisa, até porque parece que as coisas já ficam desajustadas no tempo...
A Páscoa correu bem. Foi calminha. A Andreia passou em Lisboa e nós na nossa casinha só com a minha sogra.
Estivemos bem e como fizeram uns dias lindos lá andámos todos os dias de manhã no parque com a Leonor e o Sérgio.
E como os católicos têm uns hábitos algo estranhos nesta época, lá estivémos com o parque por nossa conta o que foi fantástico... tudo muito calmo à excepção do barulho das rodinhas dos patins da Leonor, a sua última descoberta!!!
No sabádo tivémos a visita do Nelo, da Sara e dos sobrinhos todos... Zé, João, Tiago e Gonçalo.
O Gonçalo que só tem 4 meses está enorme... bem maior que o meu Sérginho!!!
Não sei o que é que a minha cunhada dá aos míudis mas o que é certo é que eles são todos tamanho XL!!!!!
sexta-feira, 30 de março de 2007
Amigos e amizade
Estou sem net em casa o que torna mais dificíl a tarefa de escrever umas bloguisses... isto acaba por ser um pouco viciante... ou seja, quando não tenho acesso há alturas em que sinto falta de vir postar!
Ontem foi um desses momentos... por isso aproveito esta horinha de almoço para "postar" um bocadinho!
Uma amiga está a passar um momento dificil. Interiormente. É uma jovem amiga, cheia de idealismos e ontem fez-me lembrar eu própria há uns anos atrás... sofri nessa altura quando sentia da mesma forma que ela, depois aprendi que as coisas são muito relativas...
Uma das coisas que a atormenta é a falta de retorno dos amigos... pois... não é fácil manter as amizades, é preciso alimentá-las, é preciso não só estar presente nos momentos mais duros mas também mimar um pouco os amigos... são talvez o bem mais precioso da vida, os amigos que nos acompanham ao longo do tempo, que evoluem connosco, que estão ao nosso lado, que sabemos que temos um apoio quando assim é preciso...
Lembro-me bem quando me senti assim sózinha, tal como se sente esta amiga... sentia que só eu é que dava importância aos meus amigos, eles não retribuiam... ou eu telefonava ou eles passavam séculos sem dizer nada, sem convidarem para um cafezinho... sei lá às vezes só para dizer olá!!! Nada!
Teimosa como sou, perdi contacto com algumas pessoas que actualmente até tenho pena que tal tenha acontecido, mas na altura, jovem, rebelde, cheia de razões... decidi que ou me ligavam ou eu não dizia mais nada... foi um choque... e foi muito mesmo muito duro! Também é verdade que os que subsistiram ainda hoje os "guardo" no meu coração, mas também é verdade que perdi alguns...
Hoje aprendi que as nossas vidas são complicadas, que nem sempre o facto de não se dizer nada significa que não se goste ou até mesmo que não se pense nas pessoas... aprendi que gosto mesmo muito dos meus amigos, não são muitos, 3 ou 4 mas são AMIGOS.
Hoje em dia, faço um esforço para ir alimentando as minhas amizades. Vou telefonando, mandando uns mails enfim, faço o que me diz o coração.
Ontem depois de conversar com a minha amiga claro que telefonei logo aos outros, fiquei mesmo a precisar de ouvir aquelas vozes que apenas com um olá nos confortam. Deixei uma mensagem num voicemail a dizer olá, falei com outro amigo e "ralhei" com ele por não dar noticias... enfim, telefonemas só para lhes mostrar que estou cá e que não me esqueço deles... e é mesmo muito bom quando tenho um telefonema deles a fazer o mesmo...
No fundo é só isto que a minha amiga precisa... daquilo que todos nós precisamos... um pouco de atenção e a certeza de que há sempre alguém que gosta de nós e que há sempre alguém que pensa em nós...
Olha amiga, eu penso em ti e estou cá para o que der e vier!
Ontem foi um desses momentos... por isso aproveito esta horinha de almoço para "postar" um bocadinho!
Uma amiga está a passar um momento dificil. Interiormente. É uma jovem amiga, cheia de idealismos e ontem fez-me lembrar eu própria há uns anos atrás... sofri nessa altura quando sentia da mesma forma que ela, depois aprendi que as coisas são muito relativas...
Uma das coisas que a atormenta é a falta de retorno dos amigos... pois... não é fácil manter as amizades, é preciso alimentá-las, é preciso não só estar presente nos momentos mais duros mas também mimar um pouco os amigos... são talvez o bem mais precioso da vida, os amigos que nos acompanham ao longo do tempo, que evoluem connosco, que estão ao nosso lado, que sabemos que temos um apoio quando assim é preciso...
Lembro-me bem quando me senti assim sózinha, tal como se sente esta amiga... sentia que só eu é que dava importância aos meus amigos, eles não retribuiam... ou eu telefonava ou eles passavam séculos sem dizer nada, sem convidarem para um cafezinho... sei lá às vezes só para dizer olá!!! Nada!
Teimosa como sou, perdi contacto com algumas pessoas que actualmente até tenho pena que tal tenha acontecido, mas na altura, jovem, rebelde, cheia de razões... decidi que ou me ligavam ou eu não dizia mais nada... foi um choque... e foi muito mesmo muito duro! Também é verdade que os que subsistiram ainda hoje os "guardo" no meu coração, mas também é verdade que perdi alguns...
Hoje aprendi que as nossas vidas são complicadas, que nem sempre o facto de não se dizer nada significa que não se goste ou até mesmo que não se pense nas pessoas... aprendi que gosto mesmo muito dos meus amigos, não são muitos, 3 ou 4 mas são AMIGOS.
Hoje em dia, faço um esforço para ir alimentando as minhas amizades. Vou telefonando, mandando uns mails enfim, faço o que me diz o coração.
Ontem depois de conversar com a minha amiga claro que telefonei logo aos outros, fiquei mesmo a precisar de ouvir aquelas vozes que apenas com um olá nos confortam. Deixei uma mensagem num voicemail a dizer olá, falei com outro amigo e "ralhei" com ele por não dar noticias... enfim, telefonemas só para lhes mostrar que estou cá e que não me esqueço deles... e é mesmo muito bom quando tenho um telefonema deles a fazer o mesmo...
No fundo é só isto que a minha amiga precisa... daquilo que todos nós precisamos... um pouco de atenção e a certeza de que há sempre alguém que gosta de nós e que há sempre alguém que pensa em nós...
Olha amiga, eu penso em ti e estou cá para o que der e vier!
quarta-feira, 21 de março de 2007
Dia Mundial da Poesia
Brincadeira - para a Laura
Brinca comigo à procura
de uma estrela noutro céu
Brinca e lava a noite escura
com os sonhos que Deus te deu
Começa devagarinho
-por favor, não tenhas medo,
que o meu coração fez ninho
dentro do teu em segredo
Acorda os anjos que dormem
com a luz do teu sorriso
Faz com que não se conformem
e saiam do paraíso
Deixa-os entrar de repente
no teu quarto, a esta hora
em que a verdade mais quente
é o sono que te devora
Brinca comigo às escuras,
ensina-me o que não sei
Onde estás? Porque procuras
o coração que te dei?
Fernando Pinto do Amaral
Brinca comigo à procura
de uma estrela noutro céu
Brinca e lava a noite escura
com os sonhos que Deus te deu
Começa devagarinho
-por favor, não tenhas medo,
que o meu coração fez ninho
dentro do teu em segredo
Acorda os anjos que dormem
com a luz do teu sorriso
Faz com que não se conformem
e saiam do paraíso
Deixa-os entrar de repente
no teu quarto, a esta hora
em que a verdade mais quente
é o sono que te devora
Brinca comigo às escuras,
ensina-me o que não sei
Onde estás? Porque procuras
o coração que te dei?
Fernando Pinto do Amaral
terça-feira, 20 de março de 2007
Semana de Quinta de Leitura

Esta semana é semana de Quinta de Leitura.
No meio de tanto trabalho de acolhimento, que é um bocado seca e muito trabalhoso, da temporada da "Aventura de Ulisses" que chegou hoje ao fim, ufa... , esta Quinta é assim como uma lufada de ar fresco!
Hoje já apareceu a Marta Bernardes que vai cantar acompanhada pelo Nuno de Sousa e apesar de ter sido uma surpresa, pois não era suposto haver ensaios à tarde, foi assim um alivío vê-los chegar...
O trabalho está praticamente todo feito já há um tempinho agora é só aqueles detalhes de última hora para 5ª feira estar tudo prontinho para arrancar!
Não é para me gabar e claro que dito por mim é um bocadinho suspeito mas, o que é certo é que a produção das Quintas está a funcionar muito bem. Apesar das limitações de tempo que tenho tido e até tenho trabalhado pouco tempo com o João Gesta mas parece que andamos sincronizados e tudo tem estado pronto a tempo e horas sem termos que stressar ao útimo minuto! Fico contente com esta situação porque acho que é uma evolução no trabalho de produção deste ciclo.
Esta vai ser uma semana dura, ontem e hoje tivemos os últimos 4 espectáculos do Ulisses com as outras produções em processo. 5ª feira temos a Quinta de Leitura e o primeiro dia de montagem do espectáculo do X-Acto.
Fim de semana são os espectáculos do X-Acto... vai valer o descanso na 6º feira, só trabalho à noite e na 2ª e na 3ª feira que estou de folga... e a precisar!!!
Volto a folgar nos primeiros dias de Abril e depois não sei muito bem o que vai acontecer, porque depois de estrear o espectáculo "Lusíadas" é sempre a abrir até Julho...
Logo se verá mas acho que vamos estar todos a cair para o lado!!!
Para já, cá me fico com a Quinta de Leitura!
No meio de tanto trabalho de acolhimento, que é um bocado seca e muito trabalhoso, da temporada da "Aventura de Ulisses" que chegou hoje ao fim, ufa... , esta Quinta é assim como uma lufada de ar fresco!
Hoje já apareceu a Marta Bernardes que vai cantar acompanhada pelo Nuno de Sousa e apesar de ter sido uma surpresa, pois não era suposto haver ensaios à tarde, foi assim um alivío vê-los chegar...
O trabalho está praticamente todo feito já há um tempinho agora é só aqueles detalhes de última hora para 5ª feira estar tudo prontinho para arrancar!
Não é para me gabar e claro que dito por mim é um bocadinho suspeito mas, o que é certo é que a produção das Quintas está a funcionar muito bem. Apesar das limitações de tempo que tenho tido e até tenho trabalhado pouco tempo com o João Gesta mas parece que andamos sincronizados e tudo tem estado pronto a tempo e horas sem termos que stressar ao útimo minuto! Fico contente com esta situação porque acho que é uma evolução no trabalho de produção deste ciclo.
Esta vai ser uma semana dura, ontem e hoje tivemos os últimos 4 espectáculos do Ulisses com as outras produções em processo. 5ª feira temos a Quinta de Leitura e o primeiro dia de montagem do espectáculo do X-Acto.
Fim de semana são os espectáculos do X-Acto... vai valer o descanso na 6º feira, só trabalho à noite e na 2ª e na 3ª feira que estou de folga... e a precisar!!!
Volto a folgar nos primeiros dias de Abril e depois não sei muito bem o que vai acontecer, porque depois de estrear o espectáculo "Lusíadas" é sempre a abrir até Julho...
Logo se verá mas acho que vamos estar todos a cair para o lado!!!
Para já, cá me fico com a Quinta de Leitura!
segunda-feira, 19 de março de 2007
Dia do Pai

Este é o meu pai. Foto tirada noutros tempos. Nos tempos da sua juventude. Um galã... parecido com o Humphrey Bogart... todos o diziam!
Não é fácil falar do meu pai. Nem é fácil falar da relação que tínhamos, turbulenta... mas nos momentos de harmonia, infelizmente poucos, era feliz...
Das memórias vêm sempre os magnificos momentos passados na praia e especialmente no mar. Era um excelente nadador, com ele aprendi a nadar nos calmos mares de Sines, na praia de St. Tropez, antes da existência da refinaria. Era bem pequenita e ia com ele e com as minhas irmãs, as três nas boias atrás dele até longe, longe, lembro-me de ver as pessoas na praia muito pequeninas de tão longe que íamos. Parecíamos três patinhos atrás dele... lembro-me dos ralhetes que a minha mãe lhe dava por ir connosco para tão longe no mar...
Depois de Sines veio a Costa da Caparica, a praia do Castelo... passávamos dias inteiros até à noite na praia... Era um amante da praia e do mar! Na praia do Castelo era amigo dos nadadores salvadores e dos donos do restaurante... São inesquecíveis os banhos de mar com ele e com os banheiros, eram 2, íamos uma com cada um, na bandeira vermelha, passávamos a rebentação sob as ordens de mergulho deles e nadávamos, nadávamos até longe... à volta vínhamos agarradas aos ombros em carreirinha nas ondas enormes... e claro no final o ralhete da mãe, ralada até mais não...
Éramos quase sempre os últimos a sair da praia. A minha mãe fazia uns piqueniques fantásticos que íamos comendo ao longo do dia, muitas vezes já o sol se punha e ainda andávamos no mar. E tantas outras vezes acabávamos o dia a comer peixinho bem fresquinho no restaurante da praia.
Não são muitas as memórias com o meu pai e as melhores são todas passadas ao ar livre. Os passeios em Sintra, na Quinta do Rei no Ribatejo e na Serra d'Arrábida e as idas ao Portinho d'Arrábida de barco... São memórias da minha meninice, as melhores, muito boas mesmo...
Benfiquista ferrenho, gráfico que se entregava com paixão ao seu trabalho... foi artista em tempos... tinha uma mão para o desenho e para a pintura fantástica...
Infelizmente perdeu este lado de amante da vida e perdeu-se bastante no meio decadente dos gráficos da altura...
Entrou numa fase bem negra... a bebida... a separação... ficou doente... não soube reagir... e perdeu-se...
Morreu num acidente de viação... ele ia a conduzir... estava alcoolizado, mas por ironia do destino a culpa não foi dele...
Morreu e mostrou-me como é frágil a vida... como tudo se desmorona de um dia para o outro...
Morreu num momento menos bom da nossa relação... não me arrependo de grandes coisas com ele, tenho a certeza que fiz tudo o que estava ao meu alcance... fiz mesmo o possível e o impossível para tentar ajudá-lo...para que ele se tratasse... para que desse mais valor a nós e à neta, a Andreia foi a única que conheceu... mas não consegui, porque ele também não queria... apenas me arrependo de não lhe ter dito mais vezes que o amava e que mesmo assim como ele era poderia sempre contar comigo...
Aproveito este dia do pai, para o lembrar da melhor forma que o conheci... dos passeios... da praia... e especialmente do mar! É aliás da forma que normalmente o lembro. Boémio, amigo da farra, muito amigo dos seus amigos às vezes até um pouco "banana" nas mãos de alguns menos escrupulosos...
Eterno admirador do irmão, por ele chorou sentidamente quando morreu, chorou como se chorasse um pai, que é o que era o meu tio na realidade para o meu pai... chorou sentidamente a bisavó Carmen, sua mãe de coração... e chorou repetidamente e sentidamente a separação da minha mãe... não soube amá-la nem compreendê-la...
Mas, ao mesmo tempo, enquanto por um lado negava a vida era um grande amante dela e viveu a vida em grandeza... com pouca responsabilidade!

Adorava a neta, com quem esteve talvez meia dúzia de vezes... quando estava com ela parecia que renascia e ficava um garoto como ela... brincava com ela no chão, andava de gatas, pulava com ela, faziam trinta por uma linha...
Esta foto foi tirada em 1997 na casa de Alcântara da Beatriz. É talvez a foto mais recente que tenho dele... Lembro-me que estava chateada com ele, não me lembro porquê... mas as caras dos dois na foto, dizem tudo sobre a cumplicidade e alegria que tinham quando se viam!
Tenho pena que a Leonor e o Sérgio (nome dado em homenagem ao meu pai) não tenham conhecido o avô.
E hoje que é dia do pai, tenho saudades do meu pai. Tenho saudades dos petiscos e até tenho saudades de algumas brigas.
Hoje que é dia do pai, quero dizer que apesar de tudo tinha e tenho orgulho no meu pai.
Hoje que é dia do pai quero dizer PAI AMO-TE E TENHO MUITAS MESMO MUITAS SAUDADES TUAS.
terça-feira, 13 de março de 2007
Cansaço
O cansaço hoje é tão grande que nem sei muito bem o que estou aqui a fazer!
O melhor mesmo é nem escrever mais nada!
O melhor mesmo é nem escrever mais nada!
domingo, 11 de março de 2007
Sol, praia...



O dia de ontem foi fantásticamente passado na praínha junto ao castro de S. Paio... é a nossa praínha refúgio tanto no inverno como no verão! Já há algum tempo que não fazíamos este passeiozinho e por isso soube mesmo mesmo muito bem!!!
Fui eu, o Jonas, o Sérginho, a Leonor, a Susana e a Bruninha. A Andreia foi para uma festa de anos e o Ricardo esteve a trabalhar.
O dia esteve magnifico, com o mar super bravo, lindo e um calorzinho a cheirar a verão...



As brincadeiras foram muitas. Com a bola, as raquetes, o disco, os baldes, as formas, os castelos e tudo aquilo a que as crianças têm direito nestas ocasiões... até os saltos das rochas para o colinho do papá...

E claro que também há sempre umas notas menos boas, como a birra do Sérginho (tadinho, estava com soninho e a birra apesar da cara feia da foto, foi pequenina) e para nossa tristeza o lixo da praia... estava mesmo muito suja e é uma pena. Bem sei que no Inverno o mar trás muito lixo, mas não chegam as taxas enormes que pagamos e mais impostos e sei lá que mais para fazer umas limpezinhas às praias? Pois até parece utopia mas... é muita pena e triste que sempre que se vai à praia fora de época está um nojo!!!
Mas apesar do lixo, foi mesmo uma tarde muito bem passada!
A seguir à praia viemos para casa. A Leonor e a Bruninha tomaram uma banhoca boa, o Sérgio comeu e dormiu (maravilha) e a Bruninha também, pela primeira vez cá em casa, conseguiu adormecer... ficou na caminha de grades do Sérgio e por isso a Susana e o Ricardo jantaram em paz e até se conseguiu conversar normalmente... foi óptimo! Energias renovadas!
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