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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

35º FITEI

Este ano vamos concretizar a 35ª edição do FITEI | Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica! Estamos a 88 dias do arranque e claro que em plena produção.
Na realidade estamos a lutar contra o tempo, pois com todas as histórias da crise, da troika, dos cortes orçamentais... foi muito difícil perceber qual seria a dimensão que poderíamos dar ao Festival deste ano.

Esta edição é sem dúvida uma edição de luta, de remar contra a maré... à semelhança de todas, ou quase todas, as estruturas culturais do país :-( 
Mas não baixamos braços... apesar dos ventos adversos, apesar do sector privado se fechar cada vez mais, ao contrário do que se passa no resto da Europa em que o sector privado tem uma forte responsabilidade no desenvolvimento cultural... enfim, mas isto aqui não é nem o resto do mundo, nem a Europa... é apenas Portugal, onde tudo chega tarde e muitas vezes torto... 

Mas na nossa pequena equipa não há desânimos, apenas alguns piores momentos de desabafo, estamos em força a fazer o FITEI andar para a frente... afinal são 35 anos!

A primeira vez que tive contacto com o FITEI, estava a iniciar a minha carreira de bailarina... participei no FITEI - Festa da Poesia em Afife em 1983... excelente espectáculo, melhores memórias... onde conheci os Táxi, os Xutos, etc...
No ano seguinte, 1984, voltei ao FITEI, ainda jovem bailarina onde dancei e me deslumbrei com o Teatro Carlos Alberto...

26 anos depois [2010] volto ao FITEI como directora de produção, e fiquei agora na Gestão de Projecto... tarefa tão difícil como desafiante... às vezes sinto-me assim como naqueles filmes em que tudo é destino... às vezes tenho a sensação que esta pequena estrutura estava no meu destino... se é que o destino existe...

Amanhã de manhã é um dia de decisões em relação a um dos nossos projectos... vamos lá ver como corre!
À tarde vou fazer uma pequena apresentação do Festival e de um dos seus projectos... estou assim... um pouco nervosa!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Ausências

Tenho andado muito ausente deste meu espacinho da blogoesfera... desculpas arranjo muitas, para mim própria e para os resistentes que mantêm as suas visitas...
Portanto, hoje decidi que não vou dar desculpas... 
Também não vou dar promessas...
Mas vou tentar ser mais assídua... é que a mim também me faz falta estes encontros comigo mesma...

Portanto, até breve!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Vóbi - 94 anos





Hoje a minha Vóbi fazia 94 anos!

Já passaram 5 desde que nos deixou... saudade imensa...

O tempo passa e continuo a sentir falta do meu maior porto de abrigo, da compreensão total, das conversas, das galhofas, dos mimos...
Sinto falta do pilar que representava na minha vida!

Sinto tanto a tua falta minha avó querida!

sábado, 22 de outubro de 2011

Morte

Ontem faleceu uma pessoa que foi uma referência na minha infância e na minha juventude!
Já há uns tempos que raramente o via... por vários motivos... A minha mudança para o norte do país não ajudou a manter contacto com algumas pessoas, e depois porque apesar de sabermos que a morte é uma das poucas verdades da vida, tomamos sempre as pessoas como garantidas, não vivemos a pensar que um dia aquela pessoa pode desaparecer para sempre das nossas vidas!
Não aguentaríamos viver em permanência com esse pensamento, mas talvez o devessemos fazer de vez em quando, talvez evitássemos o que sinto neste momento... aquela tristeza profunda que nos enche o corpo e a alma...
Porque uma coisa é estarmos longe das pessoas mas quando nos apetece ou quando nos lembramos reaproximamo-nos, outra coisa é este sentimento que a morte nos traz do nunca mais! Nunca mais poder estar com alguém...

Enfim, estou muito triste!

domingo, 18 de setembro de 2011

Apelo ao sector da moda - passar a ferro


É normal passar grande parte dos meus fins-de-semana a passar a ferro!

E gosto... é verdade, é uma das tarefas domésticas que gosto de fazer. enquanto passo vou vendo umas séries, ou filmes na TV e é um momento em que até consigo relaxar.
E depois o cheirinho da roupa lavada quando o ferro passa é óptimo!

Na verdade, gosto tanto de passar a ferro que até passo a preceito, tal e qual a minha avó e a minha mãe me ensinaram quando era miúda. Do género, nas camisas primeiro os colarinhos depois as mangas etc... e não é só para dar showoff  é que na realidade, como em todo o tipo de protocolo, o passar a preceito ajuda-nos a passar melhor e até mais rápido...
E até tenho um excelente ferro a vapor com caldeira, presente da minha querida mãe e que é mesmo bom, passa mesmo bem, rápido e sem grandes dificuldades...

Claro que a multidão que habita cá em casa e por vezes o cansaço do trabalho semanal, não me permitem ter a roupa sempre em dia... mesmo com a ajuda do Jonas (que também se sai muito bem neste serviço) temos sempre roupa para passar... é normalmente tarefa do fim-de-semana, como foi hoje...

E chego então ao porquê deste tratado sobre passar a ferro...
Na realidade isto é mesmo um apelo aos estilistas, aos designers de moda, aos pronto-a-vestir... sei lá a todos aqueles que desenham roupa e escolhem tecidos...

De certeza que não tentam sequer passar a roupa que desenham pois não????
Vão-me desculpar os fãs da moda e dos designs mas é que há trapinhos que são absolutamente impossíveis de passar... daqueles que para passar um lado o outro fica todo amachucado... ou para passar uma manga o lado oposto fica cheio de vincos... ou tecidos que por mais vapor, vaporização, borrifadelas e outras desesperadas técnicas, ficam sempre com aspecto enxovalhado...

Por favor, antes de lançarem a roupa para o mercado, passem-na a ferro e depois sim ou a mudam, ou a produzem naqueles tecidos fantásticos que não é preciso passar ou então são vestidos de noiva que são comprados já prontinhos a usar e não se tornam a vestir, ou seja usamos uma vez e vão para o baú...

POR FAVOR!!!!!





sábado, 20 de agosto de 2011

FITEI 2012


Já estão abertas as inscrições para a 35ª edição do FITEI.
Todas as informações e ficha de inscrição em www.fitei.com.


O FITEI 2012 decorrerá entre 29 de Maio e 10 de Junho 2012 nas cidades do Porto e Matosinhos.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Sérginho - 5 anos


Faz hoje 5 anos que chegou o meu rapazão...

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Apelo aos líderes políticos

Hoje venho aqui apelar aos nossos hipotéticos líderes políticos, aqueles que acham que decidem alguma coisa sobre os destinos da nação, e aos nossos verdadeiros líderes políticos, os ricaços da Europa, da troika e afins...

Ora, vamos então diminuir o défice às custas dos parcos rendimentos do povo e claro está da classe média (se é que ainda existe uma classe média...)... vejamos então:
Imposto extraordinário sobre o 13º mês a partir do salário mínimo. Pergunto, os trabalhadores independentes, vulgos recibos verdes,  como eu, que não recebem 13º mês, vão pagar um imposto extraordinário sobre o quê???? Os rendimentos mensais habituais???
IVA - que se faz sentir a torto e a direito...
Aumento de 15% nas tarifas dos transportes públicos, por enquanto, pois já sabemos que vamos chegar aos 20%...
etc, etc, etc,

Estas medidas dizem-me que estes senhores estão totalmente fora da realidade de como o povo sobrevive... assim, enquanto cidadã a tentar sobreviver, proponho a V. Exas. o seguinte:
6 meses a viverem apenas com um salário digamos de cerca de 1.000€ por mês, o que já é acima da média nacional... viverem mesmo, pagarem as contas, a educação dos filhos, a comida, os transportes, os impostos extraordinários, etc...
Mas tem de ser 6 meses, no mínimo, que é para dar tempo a sentirem o efeito de se viver assim... e mais, não podem usufruir de nada que os seus rendimentos chorudos normais lhes conferem, tipo seguros de saúde, não... têm de ir aos centros de saúde, as crianças nas escolas públicas, nada de carros e motoristas, transportes públicos... enfim, aquilo a que a maioria da população vive...

Depois de viverem assim, talvez eu lhes volte a dar alguma, pouca, credibilidade!

sexta-feira, 6 de maio de 2011

domingo, 13 de março de 2011

Mini Basket

A Leonor este ano começou a fazer mini basket. Tem sido uma experiência interessante, não só ao nível fisíco mas principalmente ao nivel do espírito de equipa.
Ela está nos mini 10 e treina 3 vezes por semana. E não pensem que é uma brincadeira... não, os treinos são muito sérios e bastante duros, dá para ficar cansado só de olhar :)
A equipa e o clube têm uma boa dinâmica e já há muitos jogos com estas mini equipas. Os jogos são muito pedagógicos, pois os árbitros explicam-lhes porque marcaram falta, ou porque não podem fazer um determinado passe, etc. Não há vencidos nem vencedores, o principal é o convívio, a aprendizagem e o amadurecimento dos jovens jogadores.

Uam das coisas que mais gosto nesta equipa da Leonor é a relação que os treinadores estabelecem com os miúdos. São quatro treinadores, dois principais e dois adjuntos. Jovens e com um trabalho muito sério e empenhado. São super carinhosos com os miúdos mas mantém o respeito e também são duros quando é necessário.

Hoje foi dia de jogo!
Lá saltei da cama às 8H00 da manhã, meu pobre domingo :)) e fui com a Leonor para o jogo que desta vez foi em casa.
A Leonor jogou muito bem. Teve iniciativa de ataque, defendeu, correu e arrasou... teve merecidos aplausos, aqui ficam umas imagens da minha atleta!


terça-feira, 8 de março de 2011

Dia Internacional da Mulher


O Dia Internacional da Mulher, celebrado a 8 de Março, tem como origem as manifestações das mulheres russas por "Pão e Paz" - por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada do seu país na Primeira Guerra Mundial. Essas manifestações marcaram o início da Revolução de 1917. Entretanto a ideia de celebrar um dia da mulher já havia surgido desde os primeiros anos do século XX, nos Estados Unidos e na Europa, no contexto das lutas de mulheres por melhores condições de vida e trabalho, bem como pelo direito de voto.
No Ocidente, o Dia Internacional da Mulher foi comemorado no início do século, até a década de 1920.
Na antiga União Soviética, durante o stalinismo, o Dia Internacional da Mulher tornou-se elemento de propaganda partidária.
Nos países ocidentais, a data foi esquecida por longo tempo e somente recuperada pelo movimento feminista, já na década de 1960. Na atualidade, a celebração do Dia Internacional da Mulher perdeu parcialmente o seu sentido original, adquirindo um caráter festivo e comercial. Nessa data, os empregadores, sem certamente pretender evocar o espírito das operárias grevistas do 8 de março de 1917, costumam distribuir rosas vermelhas ou pequenos mimos entre suas empregadas.
1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e, em Dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres, mas também a discriminação e a violência a que muitas delas ainda são submetidas em todo o mundo.
in, Wikipedia

segunda-feira, 7 de março de 2011

FITEI 2011


Primeiro anúncio do FITEI 2011 no suplemento Ípsilon do jornal Público no passado dia 4 de Março.
A produção já a bombar para que este Festival apesar de mais pequeno que o habitual seja em GRANDE!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia dos Namorados



Este é um daqueles dias que nunca liguei muito.
Para dizer a verdade, até me irrita um bocado pois nunca tivémos a tradição do Dia de S. Valentim que é tipicamente um dia comemorado pelos americanos e tipico da sociedade altamente cconsumista!
Aliás é essa ideia de consumo que me irrita neste dia (e noutros)... a ideia que nos impingiram esta comemoração apenas para que consumamos todo o merchandising possível e imaginário criado à volta deste dia...
Pois é... não é que tenha mudado de idéias, mas hoje soube-me muito bem chegar a casa depois do trabalho e ter uma caixinha de bombons e uma rosa vermelha, uma simples rosa vermelha, sem artifícios à volta, apenas um laço vermelho, à minha espera!
Senti-me tão importante... tão amada... não é que não o sinta nos outros dias, tenho essa felicidade, um homem verdadeiramenmte companheiro, um homem que me compreende, um homem que apesar de todas as dificuldades consegue fazer-me sentir amada!
Enfim, rendo-me:
Feliz Dia dos Namorados!

Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendos
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente…
É seres alma e sangue e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

Florbela Espanca, Charneca em Flor in Poesia Completa

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Feliz Natal

Personalize funny videos and birthday eCards at JibJab!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

PLATAFORMA DAS ARTES - COMUNICADO

Esta é a versão final do Comunicado originado na nossa reunião de dia 30 de Outubro.
Foi enviada como foi decidido para Primeiro Ministro e Ministra da Cultura:

A criação artística é um serviço público de valor inestimável.

A Constituição Portuguesa defende o direito consagrado à criação e fruição artísticas, direito que os autores, criadores e demais profissionais das artes desde sempre têm vindo a garantir aos cidadãos.

O investimento empenhado no bem imaterial constituído pela livre criação é essencial ao desenvolvimento de uma sociedade avançada, muito para além de uma limitada visão contabilística. Em última análise, a continuada deficiência de investimento nesta componente essencial da cultura é um gravíssimo atentado ao futuro do país.

É justamente nos momentos de grave crise que não se pode capitular à tentação do desinvestimento. Por isso é com a maior das apreensões que a Plataforma das Artes constata o que parece ser um definitivo abandono.

Há que clarificar que:

- o financiamento da produção cinematográfica e audiovisual provém de verbas autónomas, geradas a partir de receitas de publicidade que flutuam com o estado do mercado;

- o financiamento do Ministério da Cultura (MC) à criação no âmbito das artes performativas e visuais constitui apenas cerca de 50% do total do orçamento gerido pelos agentes no terreno; mas sem esse investimento do estado central, que representa, em números de 2010, apenas 0,03% do OE, todas as receitas complementares ao sector desaparecem, principalmente no actual quadro de retracção e de cortes orçamentais às autarquias e redução do poder de compra da população em geral;

- além do património imaterial insubstituível gerado pela criação artística, este sector devolve ao Estado, na forma de IVA, uma parte considerável das verbas públicas nele investidas;

- a criação artística significa mais de 12 mil postos de trabalho directos (com base em dados de 2006, divulgados em estudo encomendado pelo MC) e um incalculável número de postos de trabalho indirectos, cidadãos que sofrerão, como todos, os agravamentos de impostos e taxas sociais acrescidos da reconhecida e generalizada precariedade e intermitência das suas relações laborais.

2010 – ano caótico e desestruturante do tecido profissional artístico

Em 2010 foi pela primeira vez posto em causa, de forma retroactiva, o cumprimento de contratos assinados com o estado, tendo sido, no caso particular dos agentes financiados pelo ICA, pagas tranches de financiamento já afectadas de redução de 10%. Em Julho os apoios pontuais da DGArtes para o 1º semestre estavam ainda em fase de audiência prévia, não eram conhecidos os resultados dos apoios anuais 2010 e os concursos para apoios pontuais do 2º semestre não tinham ainda sido anunciados. Neste quadro, e na sequência da constituição da Plataforma das Artes enquanto interlocutor alargado junto da tutela, a Ministra da Cultura garantiu publicamente, a 12 de Julho, várias medidas para a sua correcção. Mas anunciou, com o 2º semestre já em curso, que não existiriam apoios pontuais.

Agora, findo o mês de Outubro, há apoios pontuais de 1º semestre e anuais da DGArtes que ainda não foram pagos, a discussão da Lei do Cinema tem sofrido atrasos que comprometem irremediavelmente a sua entrada em vigor em 2011.

As Artes e o MC em 2011

Na noite de 15 de Outubro o governo entregou a sua proposta de OE para 2011 na AR. E essa é a única informação formal de que dispomos sobre a acção que o governo pretende desenvolver no domínio da Cultura e das Artes.

Pela proposta de OE 2011 somos informados que não foi executado em 2010 cerca de 17% do orçamento do MC, um corte real de sensivelmente 40 milhões de euros dos previstos 236,3 milhões no OE respectivo, confirmando o desinvestimento que temos denunciado. O governo projecta para 2011 um aumento de 2,9% sobre o orçamento da Cultura executado em 2010; no entanto isto representa um corte à partida de cerca de 15% levando o orçamento do MC para 0,3% do OE. Se o governo pretende em 2011 realizar a mesma taxa de execução orçamental de 2010 o corte duplicará. Este é de facto o mais baixo orçamento para a cultura desde que existe MC. Cada vez mais longe a meta do 1% para a cultura dos programas eleitorais e do governo; longe está o reconhecimento do erro de não investir na cultura.

É anunciada uma redução de 10% no orçamento PIDDAC da DGArtes (passando a 19,8 milhões de euros), organismo que executa todos os anos integralmente estas verbas de investimento, sendo por isso um corte real. Simultaneamente ao anunciado corte, no texto do Relatório da proposta de OE, é mencionado o reforço do apoio por parte da DGArtes à internacionalização das artes e à rede de teatros e cine-teatros, sem explicar claramente de onde virão essas verbas. Se forem, no todo ou em parte, retiradas do PIDDAC já reduzido, implicam obrigatoriamente mais um corte nas verbas disponíveis para o programa de apoio às artes e por isso redução efectiva do número de estruturas e criadores, redução efectiva da produção artística nacional disponível para internacionalização e para circulação na rede de teatros nacionais.

Os 20% de aumento do orçamento do ICA anunciados, não são correctos. As contas desse aumento foram feitas com o valor da execução de 2010 com 20% das receitas próprias do ICA cativas, como estavam à data de apresentação da proposta de OE. Assim o crescimento para este ano é de facto de 0%, sendo mesmo de prever um decréscimo devido à recessão do mercado de publicidade e à diminuição absoluta da publicidade nas Televisões em substituição de outras formas de inserção (internet, por exemplo).

A única rubrica do orçamento do MC que parece de facto ser aumentada é a do Fundo de Fomento Cultural, uma rubrica com movimentação discricionária e pouco transparente.

O facto de o Ministério não ter até agora considerado necessário estabelecer diálogo com os representantes do sector antes da aprovação do OE, ou seja, antes de todas as decisões tomadas, retira necessariamente credibilidade a qualquer iniciativa apresentada no futuro. No actual contexto de crise, uma prática governativa responsável obrigaria ao estabelecimento de diálogo e procura de soluções comuns.

Este cenário de silêncio e incongruências leva a Plataforma das Artes a reivindicar um esclarecimento urgente, capaz de traduzir o OE 2011 em medidas concretas que identifiquem claramente a proposta do Governo em relação à Cultura.

• De que forma será reconhecida a importância estratégica do investimento nas estruturas e criadores independentes como agentes do desenvolvimento cultural do país e como parceiros do estado?

• De que forma serão preservados mecanismos de renovação do tecido cultural e o apoio directo à criação artística?

• De que forma será promovida a distribuição da oferta de produção artística pelo todo geográfico nacional?

• A verba inscrita no Relatório da proposta de OE 2011 como “Apoio às Artes” – 13,1 milhões de euros, valor amplamente noticiado e nunca formalmente negado ou corrigido – é um lapso? Qual o valor real?

• Qual será a verba a consignar ao apoio à internacionalização da produção artística nacional anunciada no mesmo Relatório? Qual a sua proveniência? E o novo programa para a Rede de Teatros e Cine-teatros? Vai ser implementado? Com que verbas?

• Haverá ganho para os cofres do estado a curto prazo (a crise obriga a resultados imediatos) da fusão dos Teatros Nacionais/OPART? Será possível, com um macro-organismo, manter carreiras e tabelas remuneratórias distintas e específicas de cada um dos organismos pré-existentes? No caso particular do Teatro Nacional de S. João não fica o MC e o país mais pobre no objectivo da descentralização de pólos de decisão e dinamização? Tudo isto foi ponderado?

• Tem o governo noção de que qualquer corte no financiamento público deste sector significará longos períodos sem emprego para trabalhadores que não têm sequer acesso a protecção social para essa eventualidade?

• Qual o impacto real destas ou outras medidas no âmbito da produção e difusão das artes e do Ministério da Cultura como um todo na redução da dívida pública? Foi ponderado esse impacto – obrigatoriamente da ordem das centésimas percentuais do OE face ao iníquo valor do orçamento do MC – e o resultado previsível de aniquilamento de todo um sector?

A Plataforma das Artes, pretendendo apenas reagir e agir após conhecer os reais projectos do governo para o sector, exige da tutela o esclarecimento formal necessário em tempo útil, reconhecendo-nos na prática como os parceiros que somos na concretização das políticas públicas do Ministério da Cultura.

Em nome de milhares de cidadãos profissionais das artes, em nome do direito constitucional à criação e à fruição artística, diversa, plural e distribuída pelo todo nacional, em nome da importância nuclear da arte na cultura e da cultura no desenvolvimento do país, a Plataforma das Artes manifesta a sua disponibilidade para audiência com o Ministério da Cultura antes da discussão na especialidade do OE 2011.

Este documento foi elaborado a partir de reunião realizada a 30 de Outubro de 2010, em que participaram profissionais independentes e de várias estruturas das diversas áreas de actividade artística e de vários pontos do país.

A Plataforma das Artes é composta pelas seguintes organizações:
APR - Associação Portuguesa de Realizadores
Plataforma das Artes Visuais
Plataforma do Cinema
Plataforma do Teatro
PLATEIA associação de profissionais das artes cénicas
REDE – associação de estruturas para a dança contemporânea